A invisibilidade humana

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Carl Gustav Jung, criador da psicologia junguiana escreve em uma de suas obras: “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”. Do ponto de vista da Psicologia tem fundamento já que o homem, antes de tudo, precisa conhecer a si próprio para aprender, rever conceitos, assimilar…Mas e do ponto de vista social? Olhar para fora e sonhar é “dar às costas” à realidade. É não enxergar as dificuldades que socialmente e cruelmente construímos.
O homem parece estar dividido em sub grupos, sub raças, subespécies. Negamos nossas semelhanças e igualdades genéticas que nos classificam a todos como Homo sapiens e criamos “escalas sociais” que nos diferenciam através do poderio econômico. E por que digo isto? Porque nada pode ser mais cruel do que olhar o outro e não enxergá-lo como sujeito, como sujeito igual a nós, de igual valor social, afetivo, cultural. É assim quando deixamos de ver um morador de rua, uma criança explorada ou qualquer outra pessoa em situação de vulnerabilidade. Nada pode ser mais cruel do que convivermos com o sofrimento do outro com total descaso, total conformismo, total aceitação.
E vamos assim, dessa forma reproduzindo nosso olhar, o olhar que “deixa de ver” aos nossos filhos que talvez venham a fazer o mesmo com os filhos deles e assim sucessivamente. O que é preciso então? É preciso olhar com “olhos de ver”, ver e se indignar, se indignar e reagir! Quem sabe dessa forma aquela frase escrita a cerca de 200 anos a.C por Tito Macio Plauto e popularizada por Thomas Hobbes muitos séculos depois onde diz: “O homem é o lobo do homem” comece finalmente a ser reescrita, às avessas.

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Ateia humanista secular, ex-missionaria cristã, cinéfila, apaixonada por arte, amante de literatura e filosofia, leitora compulsiva, autora do blog Vivendo e Construindo. Graduanda em Letras-Português pela Universidade Federal do Pará, Coordenadora da Aliança Estudantil Secularista UFPA, Diretora de movimento estudantil da Liga Humanista Secular do Brasil, Construindo a Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre, Militante da Juventude PSTU (Socialista, SIM!).

2 Responses to A invisibilidade humana

  1. “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda”… Acho que Carl Jung disso isso no sentido de que cada pessoa que olhar para fora vai enxergar o mundo de uma forma diferente. A realidade dela não vai ser a tua realidade e vice-versa. Mas quando tu olha pra dentro tu só tem a tua própria visão, só tu sabe a tua verdade, tuas vivências… e por aí vai.

    • Bertholi disse:

      Talvez seja em outro sentido…se eu olho pra fora, eu encaro as coisas como se os problemas e os erros estivessem apenas nos outros, não em mim. A partir do momento que olho para dentro, posso ver o que faço de errado e porque as vezes minha vida e as coisas que eu faço, não são tão boas quanto a vida dos outros, por exemplo.
      Cabe a interpretação de cada um e foi isso que eu sempre entendi…ao invés de reclamar e sempre pensar que a grama do vizinho é mais verde, eu olhe para dentro e veja o que de "errado" eu faço ou "certo" deixo de fazer, para obter os mesmos resultados.

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