“A maioria dos críticos da corrupção são pessoas que trabalham para ganhar dinheiro. Logo, é uma hipocrisia os trabalhadores quererem criticar quem está também querendo ganhar dinheiro”. Pois é, ainda existem pessoas que colocam em um mesmo patamar aqueles que apoiam e aqueles que criticam determinada situação, mesmo sendo óbvia a diferença de motivações entre os dois posicionamentos. E agora virou modinha falar que ateísmo é modinha.
Esse texto não está aqui para defender o ateísmo. Existem sim ateístas proselitistas. O texto é uma crítica à generalização que está havendo hoje em dia à respeito do ateísmo. Vamos primeiro deixar bem claro uma coisa: ativismo não é proselitismo. As definições segundo a Wikipédia :
1) Proselitismo : “Intento, zelo, diligência, empenho de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa, ideia.”
2) Ativismo: “Argumentação que privilegie a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade exclusivamente especulativa. Nesse sentido, freqüentemente subordina sua concepção de verdade e de valor.”
Enquanto o proselitismo preocupa-se apenas em firmar o posicionamento, justificando os meios pelos fins, o ativismo tenta argumentar à favor desse posicionamento, mostrando suas vantagens. Os religiosos, salvo em raros casos, quase sempre são proselitistas, e o as ateus, também salvo em raros casos, quase sempre são ativistas. Dificilmente você verá um religioso expondo estatísticas e argumentos embasados, e quase sempre verá ateus fornecendo dados históricos, apontando falácias e mostrando números.
Eu, pessoalmente, não critico fé pessoal. Critico argumentos de autoridade, justificativas com base na emoção, e falácias em geral. Você já viu algum ateu dizendo “Você precisa ser ateu!”? Em compensação o tempo todo eu vejo religiosos dizendo “Aceite Jesus!”. E o pior: nenhum ateu vai te ameaçar dizendo que você vai sofrer com a tortura do fogo eterno se não aceitar a posição que ele tomou.
Se o ateísmo está “virando modinha” é porque os ateus estão argumentando melhor que os religiosos. Isso é um fato. Ninguém deveria deixar de acreditar em deus(es) porque o PC Siqueira e o Felipe Neto disseram que não acreditam. Se você é uma dessas pessoas, então desculpe, mas está extremamente alienado. O ateísmo é, na maioria das vezes, consequência do ceticismo. É uma estrada árdua e quase sempre regada à preconceito. Ser ateu, ou pelo menos assumir isso em público, num país praticamente teocrático, não é fácil. Ateísmo é suicídio político. Ateísmo pode representar o rompimento de relacionamentos. Ateísmo leva pessoas a perderem seus empregos. Quarenta e dois porcento da população brasileira, segundo a ATEA, afirmam sentir ódio ou repulsa por ateus.
“Sair do armário”, organizar-se e protestar à favor do ateísmo, pelo menos hoje, não é um ato proselitista. As ações tomadas por ateus visam, na maioria dos casos, mostrar que juntos eles têm voz. Voz para combater o preconceito e promover o laicismo.
Sobre mim :
Moro em Barra Mansa. Sou estudante calouro de Física da UFF de Volta Redonda. Sou ateu, cético, humanista secular. Faço parte da LiHS, e agora da SR. Conheci a Sociedade Racionalista através do Kaio, que me convidou para a Associação de Ateus do Sul Fluminense.
E-mail: otavio._.junior@hotmail.com
Twitter : https://twitter.com/#!/otavio_junioor
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Temos que concordar que o termo ateu se popularizou por conta da internet. Eu, por exemplo, nunca tive religião. Meu pai é ateu, mas antes de meu irmão mais novo assumir sua homossexualidade, ele nunca tinha assumido abertamente que era ateu. Fez isso pra ajudar a defender meu irmão dos grupos religi-homofóbicos. Minha mãe tinhas suas crenças, mas nunca colocou nada dentro de casa. Então, por falta de vivência eu nunca acreditei em nada, mas não sabia que existia uma palavra que definia as pessoas não crentes. Por volta de 2002, já com a internet bem popularizada, que eu fui descobrir o termo. E acredito que muitos ateus também tiveram essa mesma experiência. E , por fim, com a invenção das redes sociais as discussões sobre deuses e não-deuses ficaram mais públicas e abertas do que nunca. E, muito provavelmente, todo cristão tem algum amigo ateu, que posta suas ideias e argumentos, fazendo parecer que o ateísmo é essa moda.
Douglas, há muitas empresas que não contratam alguém por sua (falta de) crença religiosa, e já vi casos sim de pessoas sofrendo preconceito no trabalho por serem ateus… Mas pior do que isso, pessoas são rejeitadas em suas próprias famílias (como é o meu caso por isso), e não, não é exagero.
Muito bom seu texto, concordo com as ideias que você exprimiu, embora ache que os "ateus por modinha" ainda precisam de palavras mais enérgicas, porque são eles que imbecilizam nossas ideias, com seu preconceito e atitude anti-racionalista. Talvez só diga isso porque levo muito a sério minhas ideias, mas ainda assim todos devemos reconhecer o mal que os "ateus por modinha" e seus críticosnos fazem.
"Ateísmo é suicídio político. Ateísmo pode representar o rompimento de relacionamentos. Ateísmo leva pessoas a perderem seus empregos. Quarenta e dois porcento da população brasileira, segundo a ATEA, afirmam sentir ódio ou repulsa por ateus.[...]"
Cara, gostaria de contestar isso. Mas infelizmente não dá pra brigar contra evidências. É isso que acontece. É fato.
Gostei do texto, apesar de que você tenha considerado ateus como "ativistas". Acredito que, da mesma maneira que há proselitismo há ativismo, sendo ateu ou não.
Exagerou na questão de perder emprego. Já há evolução indiscutível nessa questão, a não ser que você trabalhe numa igreja, aí sim poderá – ou talvez, não – ser demitido.
Veja bem: deixei claro que existem ateus e religiosos de ambos os tipos, mas os religiosos tendem a ser proselitistas, enquanto os ateus tendem a ser ativistas. De qualquer forma, obrigado pelo comentário.