Limites X Repressão

Limites X Repressão

by / 1 Comment / 0 View / 22 de dezembro de 2011

As rápidas transformações do mundo moderno vêm impondo novos desafios relativos à formação e ao futuro de nossas crianças. Com as mudanças ocorridas durante o século XX, tanto no campo das relações humanas como na educação, as pessoas foram aprendendo a respeitar as crianças com a criação dos direitos da criança e adolescente .

Muitos ainda se sentem despreparados para enfrentar os desafios de educar uma criança. Pretende-se estabelecer um diálogo que envolva o maior número possível de famílias sobre as mudanças que estão em curso na sociedade brasileira, bem como os desafios do presente e do futuro, relativos  à formação das crianças e jovens.

As famílias não encontram na sociedade, eco para seus anseios e dúvidas no exercício de seu papel junto aos filhos. A  ênfase na culpa ou na impotência dos pais diante dos problemas dos filhos, acrescido de uma rápida mudança de valores que muito vem afetando a estrutura familiar, tem feito com que os pais se sintam ainda mais inseguros e assustados diante de sua responsabilidade. 

É, de certa foma, senso comun afirmar que as crianças são o nosso futuro. São as crianças as transmissoras dos valores sociais e morais que predominam em nossa sociedade. Porque ninguém, ao vir ao mundo, sabe o que é certo e o que é errado. O ser humano ao nascer não tem ainda uma ética definida. E somos nós; nós que convivemos com crianças , que servimos de exemplo, especialmente os pais, que temos esta tarefa fundamental e espetacular que é passar para as novas gerações estes conceitos tão importantes e que conferem ao homem sua humanidade.

No ententanto, pouco se atenta para o fato de que os valores que orientarão aquele futuro, são aprendidos nos primeiros meses e anos de suas vidas. Aqueles que constituem figuras significativas na vida de uma criança desempenham,  portanto, um papel fundamental para o futuro da humanidade.

É fundamental acreditar que dar limites aos filhos é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro. Ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja.

Segundo Dreikurs  (1964) os problemas que os filhos apresentam estão aumentando em frequência e intensidade, e muitos pais não sabem como lidar com eles. De uma forma ou de outra se percebe que as crianças já não podem mais ser tratadas como no passado, e a grande variedade de situações conflitantes atiradas aos pais negam a validade das abordagens anteriores.

Na ótica do autor, assim como as crianças, os pais também necessitam de treinamento.Um treinamento que desenvolva  respostas novas para a provocação da criança pode levar a novas atitudes e abrir novos caminhos nas relações entre  pais e filhos.

O estabelecimento claro e objetivo dos limites junto às crianças e adolescentes, ajuda a formar a identidade deles, contribuindo decisivamente para seu amadurecimento. Possibilita-lhes saber quem são, o que pesam , o que querem e em que acreditam, permitindo reconhecerem e moverem-se adequadamente na realidade a qual estão inseridos.

Em suas relações atuais e futuras é fundamental que as crianças e os jovens apredam a reconhecer e valorizar a sua identidade e a identidade das pessoas que convivem com eles. Os limites são educativos primeiro porque a realidade em si nos limita, segundo, pois ajudam a sair dos seus desejos e entender os desejos dos outros; por fim porque ajudam a aceitação da lei e o respeito à autoridade, tão desgastados em nossos dias, nas casas e escolas.

No convívio diário os pais procuram direcionar o comportamento dos filhos no sentido de seguir certos princípios morais e adquirir uma ampla gama de comportamentos que garantam independência, autonomia e responsabilidade, para que mais tarde possam desempenhar adequadamente seu papel social. Por outro lado, também se esforçam para suprimir ou reduzir comportamentos que sejam considerados sociamente inadequados ou desfavoráveis.

A introdução da disciplina na vida da criança envolve um contexto de interação entre pais e filhos em que a criança começa a ser confrontada com as regras e padrões morais da sociedade através das praticas educativas parentais.

Carvalho e Schermann (2000), colocam que o ingresso da criança na Educação Infantil é situação que , muitas vezes,  exige reorganização de experiências de vida, de rotina e de estabelecimento de novos vínculos para os pais, as crianças e educadores. Este fato pode num primeiro momento desenquilibrar valores, crenças e estrutura sóciocultural.

Segundo Dreikurs (1964) durante a infância a criança deve fazer ajustes necessários para aprender a lidar tanto com o meio interior quanto ao exterior, que é seu meio ambiente, o potencial hereditário é seu ambiente interior. A importância então das primeiras relações no contexto familiar , e no contexto escolar formadoras da personalidade da criança. Entender e interagir facilitando este processo é uma responsabilidade dos pais, que nem sempre estão a altura deste desempenho.

Dreikurs aponta fatores no meio anbiente exterior da criança que interferem no desenvolvimento de sua personalidade: o primeiro fator é a atmosfera familiar. Em sua relação com os próprios pais a criança começa a dimencionar a sociedade como um todo. Os pais estabelecem uma atmosfera familiar definida e as relações entre eles estabelecem um padrão para todas as relações dentro da família. Se os pais são acolhedores, amigos e cooperativos se estabelecerão o mesmo tipo de relação entre os filhos e os pais , e entre as próprias crianças da família. Se os pais são hostis e competem entre si pela dominação familiar o mesmo padrão se desenvolve normalmente entre as crianças da família. Qualquer que seja o traço que as crianças tenham em comum, este será uma expressão da atmosfera familiar estabelecida pelos pais.

Alguns tipos de educação na família e suas consequências  Educação Autoritaria – Acontece quando os pais tentam manter o poder sobre os filhos a qualquer custo, impondo respeito através de castigos físicos, proibições exageradas e injustas, xingando, humilhando e ameaçando a criança. São pais que, na maioria das vezes, têm medo de “perder as rédeas” e por isso têm necessidade de impor respeito, não ceder, de dominar e tentar moldar as crianças. Quando os filhos mostram comportamentos até saudáveis como dar opinião ou tomar alguma iniciativa, estes pais se assustam  e sentem a necessidade de confrontá-los para que logo descubram “quem manda em casa”.

Assim, eles encobrem a insegurança e o medo de serem dominados. Geralmente acabam batendo para descarregar a frustração, sua impotência, sua raiva e a incapacidade para manter o diálogo. Esses pais “deseducam” os filhos porque desrespeitam as crianças em suas necessidades de explorar, experimentar e utilizar o seu próprio potencial. Como consequência, a criança cria medo ou revolta. O medo talvez seja a pior das consequências, pois ele aprisiona e impede a criança de aprender a se comunicar com honestidade , com espontaneidade e a tomar decisões. Por outro lado , a criança pode se tornar rebelde ou hostil. Ela aprende que é importante usar sua força e até mesmo bater para obrigar as pessoas a obedecê-la ou para conseguir o que quer.

Educação Permissiva – Acontece quando os pais são comodistas, não tem muito tempo ou vontade de dar atenção e afeto aos filhos. Tentam compensar seu sentimento de culpa deixando os filhos fazerem o que querem. Para ele é mais fácil ceder do que ter o trabalho de colocar os limites. Asssim, acabam perdendo as rédeas da situação. Em consequência a criança se sente muito mais poderosa e prepotente e cresce com pouca tolerância a frustração, tem dificuldade de esperar e de perceber as necessidades dos outros. Geralmente essa criança é impulsiva e tem sentimentos de insatisfação, abandono, com a sensação de estar perdida.

Educação Libertadora- Acontece quando os pais buscam desenvolver na criança a cooperação, a co-responsabilidade e o respeito mútuo. É uma educação onde existe uma comunicação respeitosa de pai e filho, onde o filho tem direito de sentir e de pensar a maneira dele e de dar opiniões, sem que um tenha que ser violentado ou oprimido para que o outro possa se satisfazer. As consequências desta educação para a criança são muito positivas, porque na medida em que ela é tratada com amor e respeito, desenvolvem valores importantes para a conivência com as outras pessoas, como a cooperação, a solidariedade , a gentileza, o respeito, a consideração e responsabilidade.

O segundo fator do meio ambiente externo apontado por Drekurs (1964), é a constelação familiar. O termo indica a relação caracteristica de cada membro da família, um com o outro. Sobre o estabelecimento de limites, DreiKurs coloca que as vezes é difícil compreender a difrença entre firmeza e dominação. As crianças precisam de firmeza. A firmeza estabelece limites, sem os quais elas se sentem tentando ir além para testar até onde podem chegar. O resultado mais comum é que tal comportamento acaba por chegar ao ponto de abuso, e então, perdemos o controle da situação, acontecendo uma cena infeliz e a harmonia é rompida. O autor também frisa que o respeito às necessidades  e desejos da criança é essencial. Precisamos desenvolver a sensibilidade para reconhecer a diferença entre necessidades e caprichos. A necessidade da situação como um todo pode ser o nosso guia.

Logo, firmeza sem dominação requer exercício de respeito mútuo. Devemos respeitar o direito da criança de decdir o que ela vai fazer . Conquistamos nosso respeito próprio através de nossa recusa em ficar a mercê de uma criança mal comportada. Na educação das crianças o estímulo é mais importante do que qualquer outro aspecto.É importante que sua falta pode ser considerada a causa básica do mau comportamento. Uma criança mal comportada é uma criança mal estimulada.

Cada criança necessita de estimulo continuo, pois ela não pode crescer, se desenvolver e ter um sentimento de pertinência se não for estimulada. Eis aqui uma reflexão a ser levada na orientação para educar uma criança. Desde cedo a criança percebe que seu comportamento impulsivo, em vez de satisfação, frequentemente acarreta uma censura por parte do mundo externo. Ela passa assim, a dominar suas atividades instintivas. Como, acima de tudo, a criança deseja o apoio e a aprovação dos adultos e necessita imensamente deles, especialmente do pai e da mãe, começa a compreender que precisa controlar melhor seus desejos e impulsos. Ao conformar-se gradualmente com as imposições do ambiente (educaçã0), controlando ou repelindo desejos que não podem ou não devem ser satisfeitos, vai se estruturando.

As crianças, ao contrário do que se pensa, são muito preocupadas com regras. Parece que agir dentro de limites, cuidadosamente estabelecidos, oferece-lhes uma estrutura segura para lidar com uma situação nova e desconhecida. Com a intervenção dos pais, ela aprende a se socializar, começa a ter noções de moral e ética. É fundamental que os adultos tenham clareza de suas convicções e sejam fiéis a elas, pois para os pequenos, são modelos a serem seguidos. É por meio do convívio com essas fontes de referências que eles vão estruturando sua própria personalidade.

Em qualquer faixa etária, a criança precisa aprender que há comportamentos que são aceitos e outros não. Que há coisas que ela pode fazer e outras não. O resultado leva tempo e paciência. Os pequenos não nascem sabendo como se controlar. Por isso, a autoridade tem de vir de fora, dos pais. Só que para cada idade deve-se adotar uma estratégia. É preciso ter claro que quem esta no comando são os pais. Educar parece não ser uma tarefa muito fácil. O filho desafiar as regras está dentro da normalidade. Anormal seria se a criança aceitasse passivamente o primeiro não dos pais ou nunca desobedecesse.

Meu nome é Tassiane Langone Fonseca tenho 24 anos. Moro em Porto Alegre/RS. Sou psicóloga formada e atuo como Analista de RH em uma empresa de transporte. Atualmente estou cursando a especialização de Psicologia Organizacional na UFRGS. Entrei na psicologia porque adoro as pessoas e queria saber o porque dos seus comportamentos e pensamentos.

One Comment

  1. o triste, é o fato comprovado dos individuos não terem senso: não sabem beber moderadamente p/ poder dirigir, Lei Seca neles… não sabem usar dorgas sem abusar, Proibição neles; não sabem educar filho de maneira sensata, Lei da Palmada neles.. parece q o cérebro dessas pessoas funciona como um sistema binário é 1 ou é 0. parece que o ser humano gosta tanto de se assemelhar às suas criações eletromecanicas (como os robôs), que precisam de delimitações exatas pra tudo que vão fazer e acabam eliminando uma das suas mais belas caracteristicas, que é a subjetividade. limite é uma questão de consciencia, enquanto não se estimular a auto consciencia de limite, seremos coagidos a viver como robôs vivos..

Your Commment

Email (will not be published)